O que mais me encanta nesses dias em que tudo parece desolado e sórdido é essa estranha flexibilidade presente em minha alma. A vadia parece fazer questão de me empurrar para a metafísica em que vive, para seus problemas insolúveis e para seus conflitos assustadoramente... banais. E isso incomoda-me muito. Não estes estados de desolação e sordidez sejam de meu agrado, pelo contrários, não assustadoramente contrastantes com a vivacidade e leveza de minha alma. Contudo, suponho eu, sabes muito que qualquer manifestação que descompasse meu ego, e mesmo suas crises "nonsense", aborrece-me demasiadamente. O fato é que mesmo sendo ela uma parte de mim, ou assim é suposto ser, há nela, em minha alma, algo que desconheço. Parece tratar-se de uma espécie de atração incomum por coisas que eu, enquanto ser físico e real, desprezo. É como se em mim habitassem simultaneamente duas pessoas, ou como se minha alma fosse duas almas... ou milhares delas. E todas parecem implicar com meu estado emocional; mudando-o sem aviso prévio, jogando-me em meio a uma confusão emocional bastante... emocionante, admito. Mas ainda assim, odeio tais interferências. De certo, alguns sujeitos infantis, abobalhados e incrivelmente visionários observarão que essa minha conjetura, redundantemente mal comprovada, é um clássico caso de persona adversus ipsum, ou num termo muito menos eloquente, nossa natural dualidade entre o bom-gênio e o mau-gênio tão explorada e muito mal representada nos cartuns daquele judeu conhecidíssimo na América do Norte e cujo nome não me lembro... Mickey Mouse, acho. Ah! Antes de qualquer coisa, devo avisá-la que o café está deliciosíssimo, "milady", e que sua companhia me é essencial nesses momentos em que mesmo meus mais íntimos amigos imaginários parecem não suportar-me. Oh, é mesmo! Como anda aquela sua prima escritora?...
Diário outonal (2)
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- Escrevi para a Brotéria sobre Mindhunter e State of the Union.
- Ontem ouvi na televisão uma advogada de família a explicar que a prática
de abandono ...
