Ultimamente tenho enfrentado algo que pode ser chamado de “tempestade espiritual”. Talvez este seja um termo metafísico demais para expressar uma mísera situação de conflito interno. Mas, a meu ver, parece apropriado. E só isso me basta para usá-lo. Entenda, no entanto, meu caro leitor – antes que você comece a imaginar que estou em um simples conflito filosófico-espiritual; que com espiríto, refiro-me a meu “eu” mais íntimo, à parte de meu inconsciente que exerce uma considerável influência em meu comportamento e em minhas infantis ideias de mundo. Nada de deuses, anjos, fadas e ninfetas... ou seriam ninfas? E a tempestade, por sua vez, nada mais é do que uma espécie de anomalia comportamental que venho enfrentando ultimamente; um outro “eu” que vive a elevar-se sobre esse meu suposto “verdadeiro eu”, sufucando-o, enaltecendo um comportamento que, a todo instante, está em conflito com suas concepções, ou seja, em conflito comigo mesmo. Isso, a princípio, pode não fazer sentido. Sendo honesto, realmente não faz. E este amontoado de palavras tentando se passar desesperadamente por texto, é, na verdade, uma parte prepotente de mim que está tentando dar sentido a essa idiotice. Contudo, insistirei mais um pouco nessa indolência.
Embaraçoso é perceber que ao comparar essa minha personalidade real com a que estou sendo, ou tentando ser; percebo o quão tedioso, passivo e inseguro eu sou em essência. Já este meu outro eu, o desordeiro, é o oposto disso. É subversivo, teimoso, arrogante, cínico e infinitamente egoísta. – Veja que exercício introspectivo maravilhoso é a escrita! Agora mesmo enquanto chuto estas ideias vagabundas para fora de minha cachola, assaltou-me a atenção uma questão curiosa: Qual desses dois comportamentos me é intrínseco? Não estaria eu fazendo mais uma análise equivocada a respeito de mim mesmo?
Embaraçoso é perceber que ao comparar essa minha personalidade real com a que estou sendo, ou tentando ser; percebo o quão tedioso, passivo e inseguro eu sou em essência. Já este meu outro eu, o desordeiro, é o oposto disso. É subversivo, teimoso, arrogante, cínico e infinitamente egoísta. – Veja que exercício introspectivo maravilhoso é a escrita! Agora mesmo enquanto chuto estas ideias vagabundas para fora de minha cachola, assaltou-me a atenção uma questão curiosa: Qual desses dois comportamentos me é intrínseco? Não estaria eu fazendo mais uma análise equivocada a respeito de mim mesmo?
Nós, de maneira geral, utilizamos como molde para a construção de nossas próprias personalidades, o comportamento daqueles que estão a nossa volta. Ao menos era o que Freud dizia – de um modo mais desdenhoso, claro. Pais, parentes e amigos mais próximos são os que mais têm essa influência sobre nós. Quer queira, quer não. Sabendo disso, seria absurdo questionar se esse meu novo comportamento – que facilmente pode me fazer ser chamado por algum puritano de “filho da puta” – possa, na verdade, ser minha real essência? E todos os anteriores a ele uma mera personalidade composta pelos princípios “éticos” e “morais” que fui introjetando com o passar dos dias?
Alguns dirão que estou me contrariando, uma vez que as nossas características mais profundas, ou seja, as concepções que vamos introjetando durante a vida são, por excelência, os compositores de nossas personalidades. E são as verdadeiras porque estão fincadas em nossas inconsciências, comandando, assim, nossas respostas aos estímulos do meio. E toda alteração comportamental consciente, por sua vez, é superficial e inválida.
Mas, eis que jogo-lhes outras questões: Você é o que as pessoas veem em você, ou o que você as permite ver? Se refletir um pouquinho que seja, verá que, mesmo sendo esta uma questão confusa, sem sentido e própria de um adolesceste de 21 anos (que a esta altura mal consegue ver o que está digitando), ela até tem algum sentido.
Ora, se sua imagem, a imagem que os outros projetam de você, é, na verdade, a sua personalidade para o mundo; logo, não se é, está-se sendo. Ou seja, sua personalidade é definida pelo que você está sendo. E é a partir das impressões que você causa que os outros construirão uma visão, uma personalidade a seu respeito. Não parece uma observação racional? – Que provavelmente já foi feita há bastante tempo por algum filósofo comportamentalista sem talento.
Mas eis que todas essas perguntas me parecem bastante indignas de serem respondidas. E já passa das três e cinquenta e três da manhã, e três e cinquenta e três não me parece, nem de longe, uma boa hora para se fazer reflexões existencialistas estúpidas e sem fundamento. Além do mais, estou com sono, bêbado e meus cigarros acabaram. Vou é me atirar na cama como fazem aqueles atletas nos saltos com vara. E você, se for próximo a mim, que procure algum sentido nisso, do contrário, apenas me chame de bêbado estúpido e aconselhe-me a parar de escrever bobagens sem o mínimo sentido no meio da noite. Eu certamente o ignoraria. Mas é uma bom conselho, confesso.
Mas eis que todas essas perguntas me parecem bastante indignas de serem respondidas. E já passa das três e cinquenta e três da manhã, e três e cinquenta e três não me parece, nem de longe, uma boa hora para se fazer reflexões existencialistas estúpidas e sem fundamento. Além do mais, estou com sono, bêbado e meus cigarros acabaram. Vou é me atirar na cama como fazem aqueles atletas nos saltos com vara. E você, se for próximo a mim, que procure algum sentido nisso, do contrário, apenas me chame de bêbado estúpido e aconselhe-me a parar de escrever bobagens sem o mínimo sentido no meio da noite. Eu certamente o ignoraria. Mas é uma bom conselho, confesso.
No mais, au revoir!
