Una via para la existencia

segunda-feira, 28 de maio de 2012 § 1

 Já disse Neil Gaiman, e ponho-me de acordo, que devemos, uns aos outros, o ato de contar histórias. E é exatamente por este sentimento, de estar débito, que sou tomado sempre que início um texto. A cada linha escrita, a cada olhar que dou para o brilho intermitente do cursor de inserção de texto, sou mais e mais pressionado por uma necessidade de ser inteligível, e, mais ainda, de ser verdairo em minhas confissões. Sim, porque por mais descompromissado que o ato de escrever aparente ser, é necessário mais do que simplesmente imaginar alguns eventos e descrevê-los. Quando digo que escrevo sobre a sensação de estar em débito, é a isto que me refiro: ser, o máximo possível, honesto com minha imaginação, pois é dela, do plano onírico que a contém, que extraio a forma para compor meus contos. No entanto, não posso, jamais, deixar de respeitar a lógica da linguagem. Mesmo que a pratica destes dois eventos em simultaneidade seja uma tortura para as mentes preguiçosas como a minha. Observe aqui, leitor, o quão paradoxal é isto a que me proponho: dar realidade à irrealidade de minha imaginação, sem, todavia, usurpar-lhe a realidade singular a que ela pertence. Fazendo uso apenas da linguagem para isso. Percebe, leitor, o quão poderosa é a escrita? A quantidade de funções a que ela se presta? Digo isso porque ao escrever vamos muito além do simples ato de contar histórias. Estamos, também, fazendo uso do meio mais intenso e eficiente de incorporar sentido às nossas próprias vidas, e mais, de refletir sobre ela. A verdade nisso vem à tona na medida em que expomos, em que damos forma e significado às nossas ideias, às nossas mais íntimas e ocultas características, exiladas da realidade em função das exigências que nos impõe a sociedade em troca de nossa aceitação nos grupos sociais. No texto, e somente nele, temos a liberdade de ser o que somos, como somos, além de ganharmos, de brinde, a possibilidade de explicar por que o somos. O texto é o único país em que é-se livre de verdade. Por isso insisto, meu caro leitor, escreva! Conte histórias!

Nota: Qualquer contradição não é mera coincidência.

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