Chovia forte. Tanto que seus sapatos encheram-se de água. Cansado, ele sentou-se num banco qualquer, numa praça qualquer, e comprometeu-se em ignorar os passantes acolhidos em seus guarda-chuvas e em seus casacos volumosos. O mesmo eles não o faziam. Olhavam, sempre com algum espanto, para aquele homem indiferente, vestido com roupas que demostravam bastante bom gosto e classe, encharcá-las sob tão forte chuva.
Não muito longe dali, sob a mesma chuva, um morador de rua repousava embriagado. Ninguém reparava.
Passaram-se algumas horas e ele não havia dado sequer um passo. A chuva continuava firme e incessante. Os transeuntes, no entanto, tornaram-se raros. A muito custo via-se algum.
Depois de mais algum tempo, tempo suficiente para que a madrugada chegasse com seu melancólico frio; ele viu-se sozinho. Eis então que acendeu um cigarro, e começou a passear por ali, sem objetivo algum. Não pensava em nada. Estava cansando de seus pensamentos, e dele próprio; cansado de todo o resto.
Depois de mais algum tempo, tempo suficiente para que a madrugada chegasse com seu melancólico frio; ele viu-se sozinho. Eis então que acendeu um cigarro, e começou a passear por ali, sem objetivo algum. Não pensava em nada. Estava cansando de seus pensamentos, e dele próprio; cansado de todo o resto.
O morador de rua, não menos embriagado do que enquanto dormia; depois de bastante esforço, levantou-se e foi proteger-se da chuva em um quiosque. Surpreendeu-se, quando em meio ao vazio desolador da praça, avistou aproximando-se dele um homem, que logo julgou ser dotado de grande fortuna. E maior ainda foi sua surpresa ao vê-lo parar em sua frente e o encarar com seriedade.
– Tome, príncipe! Fique com este meu guarda-chuva; está bem velho, mas dá para te proteger da chuva! Gritou o mendigo erguendo um antigo guarda-chuva que tinha consigo.
O homem, até então indiferente a tudo, para o espanto do mendigo, esboçou-lhe um sorriso calmo.
– Você salvou minha vida; talvez a última delas. Respondeu ele.
O mendigo, sem entender bem o que aquilo significava, apenas retribuiu o sorriso.
