Manoel de Barros

domingo, 12 de agosto de 2012 § 0

A maior riqueza do homem 
é a sua incompletude. 
Nesse ponto sou abastado. 
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito. 

 Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, 
 que puxa válvulas, que olha o relógio, 
 que compra pão às 6 horas da tarde, 
que vai lá fora, que aponta lápis, 
 que vê a uva etc. etc. 

 Perdoai 
Mas eu preciso ser Outros. 
Eu penso renovar o homem usando borboletas. 

 Poema Número 11, Retrato do Artista Quando Coisa, Manoel de Barros, 1998.

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