Ora, adorável crítico, que, provavelmente,
muito conhece das mais diversas manifestações literárias, não me leve tão a sério. Sou um mero farsante,
um usuário descarado da insignia de escritor, sem, no entanto, ser um. Não
perca seu precioso tempo em busca de termos pejorativos para mim, já tenho uma
lista bem extensa, entre os quais: arruaceiro, vadio, descarado e ignóbil são os mais comuns. Escolha o que melhor te agradar. Eis uma confissão: Não escrevo com o espirito inclinado
às reverências e aplausos do público. Ora, seria um milagre isso acontecer. E talvez Deus nunca tenha me visto como um sujeito digno para tal. Os raros milagres que me ocorrem só vêm em razão de muito esforço; e, como já dito, sou vadio demais. Não escrevo para mostrar-me culto. Escrevo
para me divertir. E penso que isso deveria fazer bastante sentido. Para por fim a esta minha seção de autocompaixão, encerro este discuso pedindo-te para que me encare como um Marcel Duchamp com setenta por cento do seu talento reduzido – tendo em vista o talento de Duchamp, isso certamente resultará em um número negativo. No mais, desejo-te uma boa noite. Perdão! Um bom dia.
Nota: Se, ao mijares, deres de cara com um urinou quebrado, urina no chão; hoje, é um belo modo de se fazer arte.
Nota: Se, ao mijares, deres de cara com um urinou quebrado, urina no chão; hoje, é um belo modo de se fazer arte.

