Era o fim do mundo
e o sol ainda não havia nascido.
De pé, encarando a janela,
ela desenhou o que seria um sorriso
em um rosto moribundo.
Lá fora, Maio caminhava sonolenta,
Junho, bêbado, atrasou-se.
As estações, então confusas,
brotaram flores e tempestades,
como faz uma dança sem som
frente a uma plateia turbulenta.
Ao longe, um velho que se dizia marinheiro,
caia, erguia-se, chorava, morria o tempo inteiro.
Era a chuva, ele dizia,
a chuva renova os meus fantasmas.
A morte, a vida e uma princesa magra
seguiam, sorridentes, a planejar
o fim de homens valentes que encontravam pela estrada.
Hoje morremos todos! Ele gritou.
Fraco, tímido e desesperado, respondeu-lhe o velho:
Vamos em paz, pois a honestidade do silêncio
vale a dor de sua contemplação.
Arapiraca, 9 de março de 2012.
Diário outonal (2)
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