Lá longe,
entre corais e bosques ermos,
entre corais e bosques ermos,
onde as horas se perdem,
em um sonho,
habita um homem.
Habitariam também flores
se ele não se alimentasse delas
e de seus cheiros, e de suas cores.
Se, junto a elas, as memórias que
brotam,
não o torturassem tanto,
renovando-lhe os pesadelos
que são as enchentes das cidades
e a extinção de suas paisagens.
Haveria, do mesmo modo,
uma mulher,
que seria uma rainha,
uma nuvem,
uma nuvem,
uma santa,
um pássaro,
as estrelas
as estrelas
e também um anjo.
Que seria a cor azul
ou o céu ou uma resignação, tardia.
Que seria o mundo
e o sentido das coisas que vivem nele,
e dos sonhos, dos bares e das praias sem mar
e dele.
Mas não há.
Não mais.
A que, uma vez, cá esteve,
devorava-lhe os membros,
que sãos seus sonhos,
seus pensamentos,
suas promessas, todas.
E chovia sobre ele
e sobre o mundo
e sobre as cidades
onde ele construíra
monumentos sob a forma de
anjos,
rainhas e pássaros.
onde ele construíra
monumentos sob a forma de
anjos,
rainhas e pássaros.
Há, hoje, apenas ele e sua face.
Que já não sofre.
Que é nada.
Que nem existe
ou cria.
ou cria.
Arapiraca, 17 de agosto de 2012
