O amor, como a maioria das pessoas o concebe, não passa de um delírio, de uma racionalização banal para amenizar a dor que nos impõe a existência. Amar não significa mais do que sustentar-se em algo para impedir um tombo iminente. Amamos o que nos é útil, e, mais do que tudo, amamos a nós mesmos. Quando alguém diz amar outra pessoa está na verdade dizendo que ama o conforto de tê-la por perto para levar embora seus medos, para sustentar o peso de seu mundo e para manter distantes antigos fantasmas. Ao ver dois amantes, a impressão que tenho é de estar encarando duas ruínas cujos destroços não despencam porque, de algum modo misterioso, um apara os restos do outro.
Diário outonal (2)
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- Escrevi para a Brotéria sobre Mindhunter e State of the Union.
- Ontem ouvi na televisão uma advogada de família a explicar que a prática
de abandono ...
